Uma Conversação (Nacional) Sobre a Criatividade:
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Sep 1, 2010
@ 8:22 pm
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A moda d’ O Alfaiate Lisboeta


Perguntas em registo intuitivo. Respostas em letra minúscula. Uma conversa simples com José Cabral, o homem por detrás d’ O Alfaiate Lisboeta.


“The Sartorialist” foi a referência que deu origem ao blog d’ “O Alfaiate Lisboeta”, certo?  Scott Schuman é ainda uma fonte de inspiração para si?


a fonte de inspiração para “O Alfaiate Lisboeta” foi a descoberta deste conceito genérico de blogs em que os seus autores publicam fotografias de pessoas com quem se cruzam na rua e por quem se sentem inspirados/atraídos. obviamente, o Scott Schuman e o seu “The Sartorialist” têm a sua quota-parte de responsabilidade no meu projecto uma vez que aquele blog é, a título praticamente indiscutível, a referência mundial na matéria. fiquei encantado a primeira vez que me mostraram o blog mas, muito sinceramente, a inspiração que fui buscar ao “The Sartorialist” foi apenas inicial. num 1º instante a ideia e depois, eventualmente, um outro detalhe mais relacionado com as fotografias em si. nessa fase inicial diria que a sua influência foi marcante mesmo. actualmente é praticamente inexistente. o Scott Schuman tornou-se numa figura incontornável na “fashion scene”, eu não passo dum tipo que tem por hobby fazer aquilo que ele tem como ocupação principal e, como tal, movemos-nos em círculos e escalas completamente diferentes. além do mais o Scott Schuman tem todo um passado ligado à moda. o facto de eu não ser um “agente” no mundo da moda faz com que, muito provavelmente, tenhamos visões completamente distintas do fenómeno. a mim, para além da inspiração estética mais óbvia que se busca numa fotografia de rua interessa-me também perceber os processos que estão a montante daquilo que a imagem nos mostra. ou seja, interessa-me perceber o que vem antes da imagem. as imagens pré-concebidas que temos sobre determinadas peças, os motivos que nos levam a rejeitar liminarmente um determinado adereço ou a ter um fascínio desmedido por outro. o lado social da moda se quisermos. porque a moda não pode ignorar o mundo que a rodeia, ela guia-se pelos padrões de referência duma determinada época. uma colecção pode optar por ser mais ou menos convencional mas dificilmente será verdadeiramente disruptiva com os tais padrões.

Considera-se um Criativo?


suponho que sim. vou-lhe ser muito franco. acho que “O Alfaiate Lisboeta” é um projecto tremendamente criativo. imagino que isso possa não ser óbvio para todos uma vez que o seu conceito genérico foi praticamente decalcado de algo que já existia. mas a verdade é que vivo absolutamente convencido de que é um projecto inovador uma vez que liga mais a moda (ou aquilo que se faz dela) ao mundo. o que pretendo dizer com isto é que uma determinada peça não singra no mercado apenas porque é, em si mesma, mais ou menos bonita. há uma infinidade de factores que, no limite, podem ser muito mais importantes que o seu aspecto geral. e acho que é aqui que “O Alfaiate Lisboeta” marca um bocado a diferença. mantém a moda em ligação constante com tudo o que a rodeia. a moda é, ela mesma, um facto social.
deixo-lhe três links de uma mesma pessoa [Rui Quinta]. de alguém que, estou convencido, tem inspirado directa e indirectamente a minha vida criativa. uma pessoa que é, para mim, o esboço perfeito daquilo que é “pensar fora de caixa”. tinha lido na diagonal as suas perguntas e não tinha reparado neste seu último pedido e, quando o li, pensei imediatamente neste meu amigo, o Rui Quintahá também um outro factor que faz, no meu entender, d´ “O Alfaiate Lisboeta” um projecto diferente. ele gera emoções. e a emoção é um dado essencial no consumo. a apresentação de um produto envolvido numa aura de emoção pode transformar por completo a imagem que se tem dele. de certa forma estamos aqui a falar de alguns princípios gerais de Marketing. temos um produto que é aquilo que é não o podemos melhorar intrinsecamente mas, sem sombra de dúvida, que o podemos transformar aos olhos do consumidor

Como define “Criatividade” ?


muito sinceramente, a 1ª coisa que me ocorre quando me falam em criatividade é a ideia de uma “outra via”. de uma “outra solução”, de uma “outra perspectiva”. por isso, para além do significado mais óbvio (até do ponto de vista etimológico) que está relacionado com  a “criação” pura, a “criatividade” transporta-me também de imediato para um novo patamar de soluções, para um novo olhar sobre uma mesma realidade já conhecida. invenção e re-invenção.

Três fontes de inspiração.

não sou muito bom com enumerações. acho que me fico com aquela que me parece mais óbvia - as pessoas. são elas que, no fundo, são responsáveis por aquilo que eu faço. primeiro porque são elas próprias que tornam este projecto possível e depois porque são elas mesmas a minha maior fonte de inspiração. por vezes o sentido e a direcção de um post pode ser completamente definido pelo diálogo que tenho com a pessoa quando a fotografo.

Inspirações/ Referência pessoais.

  1. “Postal de Natal II”
    acho genial este “feliz Natal”. mais uma vez é a emoção que investimos nas coisas que faz toda a diferença

  2. “Obrigado a todos.”
    a loucura não carece de notas de rodapé =)

  3. “2009-2010 :)”
    a expressão re-inventada das coisas simples

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